Será?

O dia amanheceu chovendo…

A velha rotina invade o apartamento. As crianças levantam mau humoradas.

A mulher estressada com a hora do colégio, o cardápio do almoço e a garantia da melhor(?) vaga no estacionamento.

As primeiras notícias dão conta da crise na Grécia, dos engarrafamentos, dos engavetamentos e dos gols da rodada no brasileirão.

Comia salada de bacalhau e torcia para o América.

Além de neurastênico, tinha cirrose, era portador de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), e se não bastasse os primeiros sinais do temido ― ou providencial ― mal de Alzheimer.

Elucubrações cujo roteiro trata também dos desafios do viver, do conviver, do sobreviver e do deixar de viver.

Olhando de fora parece simples. Como assim, simples? Quem disse? Ele jamais acreditou naquela simplicidade.

Estudioso, criterioso, meticuloso entre axiomas, teorias, filosofias, cálculos e estratégias sempre atento e com olhar apurado.

Além de todas aquelas ferramentas, uma em especial jamais se separaria: a lupa. Com os olhos cansados já não conseguia ver mais nada…

Ele ainda não havia aprendido a valiosa lição que a vida nos ensina: que o “mais importante é invisível aos olhos”.

Início da noite, outono de 1970 brincando na chuva jamais poderia imaginar um futuro tão distante e tão sombrio.

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