A dor e a delícia de ser mãe

Mãe é tudo igual?

 
por Glauciana Nunes
 
Hoje eu vou falar para você, que está grávida. Vou lhe contar coisas que poucas pessoas têm coragem de nos falar. Talvez por medo, talvez para não soar negativo, para não colocar medo.
Hoje, quero te dar as mãos, te levar para um lugar tranquilo e falar olhando nos seus olhos. Quero te contar algumas coisas. Coisas que ninguém me disse e quando eu senti me imaginei a pior das criaturas por achar que só eu vivenciava aquilo.
 

Amor entre irmãos? Só se for assim… um dentro (Ique) e outro (Guiga) fora!!
Imagem sem fotoshop… mas cortei (?)  os olhos para tirar as olheiras!!!!

 
Pois bem. Logo mais você dará à luz todo o sentido da sua vida. Você será inundada por um amor nunca antes sentido, imaginado, vivenciado. Terá a certeza de que seus dias, enfim, terão sentido. Essa fofura em forma de bebê trará alegrias, descobertas e muita aventura.

Mas, também lhe digo que muitas coisas nem tão positivas podem ocorrer e que isso é normal. Sim, normal! Porque, antes de sermos mães, nós somos mulheres. Somos de carne e osso, coração e cérebro. E diria que muito mais coração do que cérebro. Porque nós temos as nossas limitações, porque cansamos, porque temos sono, porque temos desejos, porque somos seres humanos.

Essa criaturinha que está chegando vai precisar de você em 100% do seu tempo nesse início de vida. E ele vai chorar, e ele não vai dormir, e ele vai pendurar no seu peito por horas e horas e horas. E quando você estiver quase pegando no sono ele vai ter a fralda cheia de xixi. E quando vocês estiverem prontinhos para sair ele vai regurgitar em cima da roupa linda dele e em cima de você, lhe deixando sempre cheirando azedo. 

Mãe coragem!

Não, ele não fará isso porque você merece o padecimento, nem porque está lhe punindo, nem porque ele está manhoso. Bebês não têm maturidade emocional para fazer joguinhos de manha. Eles apenas são bebês e precisam de cuidado. Precisam de alguém que os alimente. Acabaram de sair de um útero quentinho, onde estavam protegidos do frio e da luz.

E você poderá sentir, por muitas e muitas vezes, raiva. E poderá sentir culpa por sentir raiva. E isso vai doer. Você encontrará, na Internet, milhões de relatos apaixonados sobre a maternidade, sobre o encanto de ser mãe, sobre a coisa mais deliciosa do mundo de cuidar de um bebê. E não raras as vezes que você se sentirá a pior mãe do mundo e se questionará: “se todos só falam do amor e prazer de ser mãe, porque que é que eu me sinto tão cansada, precisando de mim e querendo ser eu novamente?”.

E lhe digo: porque você é normal. Você é um ser humano. Você tem desejos, sonhos e necessidades. Não sinta-se culpada quando isso ocorrer. Ter filho dá trabalho, sim! Eles são extremamente dependentes e isso até nos assusta vez ou outra. Pode ser que você chore, tenha vontade de sumir, olhe praquele bebezinho tão lindo e não tenha vontade de pegá-lo no colo. Sim, provavelmente vai!

Amamentar é tudo de bom!

E isso não significa que você é uma péssima mãe. Não. Muitas de nós sentimos isso. Muitas sofrem caladas, mas eu vivenciei isso e outras, amigas e conhecidas, também. Não se sinta mal.

Sabe o que é melhor? O melhor é que tiramos uma força de não sei onde, um poder, um amor, sacodimos a poeira, damos a volta por cima em instantes e abrimos um sorriso. Voltamos a ter a doçura que nos é peculiar. Abrimos os braços para nosso bebê. E damos o peito. E ninamos. E acalentamos. Sentindo um amor que não cabe em adjetivos nem expressões.

E isso é a maternidade. É a dedicação exclusiva mais gratificante de sua vida. E também, por que não, mais cansativa? Mas, quem é que disse que seria fácil? Fomos preparadas para ser mãe e temos condições de superar tudo isso. Amor, esse amor de verdade que falamos quando experimentamos a maternidade, tem um custo. E sabe? Nós damos conta! Pagamos qualquer preço e vale muito à pena. Ah, se vale!

Esse texto foi publicado na rede social Mulher e Mãe, em 21|01|2011

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