Especial

Poetinha de respeito

Vinicius

Vinicius faz parte de uma geração de poetas brasileiros do século XX que é uma turma de ouro.

E é um dos destaques dessa época, ao lado de João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes e Manuela Bandeira.

José Castello, autor de Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão

Vinicius de Moraes adorava um diminutivo. “Inho” e “inha” eram sufixos na linguagem do poeta, que acariciava os amigos e parentes quando os chamava. “Parceirinho” e “Gessynha” são exemplos de vocativos do poetinha, que aliás não se importava, nem podia, de ser chamado assim.

Apesar de carinhoso, contudo, o apelido carregava também uma crítica da parte daqueles que consideravam Vinicius um poeta menor, de parca qualidade, especialmente depois de “descer” do panteão da alta cultura e se misturar de forma definitiva entre os menestréis da produção popular.

“Vinicius faz parte de uma geração de poetas brasileiros do século XX que é uma turma de ouro. E é um dos destaques dessa época, ao lado de João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes e Manuela Bandeira”, diz o biógrafo José Castello, autor de Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão, lançado pela Companhia das Letras.

“Essa coisa do ‘poetinha’ alegre e festeiro criou uma ideia falsa do escritor, pois, além de sugerir que ele foi um poeta menor, o conceito esconde o lado negro que Vinicius, como todos nós, possuía, feito de períodos de grande melancolia, principalmente quando estava sozinho, sem casamento, sem mulher.”

Os escritores Vinicius de Moraes, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos (da esquerda para a direita)

Os escritores Vinicius de Moraes, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos (da esquerda para a direita)

Homem de fases, o poeta escreveu os mais variados tipos de poemas. Muitos, mas não todos, falavam de amor.

A vasta produção, que apresenta também poesia religiosa e de crítica social, caso de Gente Humilde, musicada por Chico Buarque, dificulta qualquer tentativa de colar um rótulo à sua obra.

Estenda seus braços eficientes no cultivo do Bem, para que, quando os recolher, os traga cheios dos frutos abençoados da felicidade e do Amor.

“A poesia de Vinicius teve as mais diversas conformações ao longo do tempo. Mocinho, ele era dado à metafísica, tinha algo de solene.

Depois, afrouxou a gravata e ficou mais livre – na forma e nos temas –, sem que isso tenha significado algum tipo de ‘rebaixamento’”, diz Leandro Sarmatz, editor responsável pela obra do autor na Companhia das Letras, que vem republicando Vinicius.

Tratado como algo de segunda categoria, o popular até hoje desperta preconceito e afugenta artistas respeitados, receosos de serem diminuídos. Receio este que nunca preocupou a mente de Vinicius, que, pelo contrário, se sentia motivado a fazer trabalhos refinados, mas de amplo alcance.

Leia mais em veja.com por Raquel Carneiro

 

 

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