Não sou responsável pelo que vão pensar de mim

 

Eu quase esqueci de quem eu era tentando ser uma versão melhor de mim mesmo. Infelizmente, é essa a constatação que acabo de fazer.

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Eu sempre quis ser tão mais. Eu sempre quis tão mais para mim, para qualquer um que esbarre comigo ou cruze no meio do trânsito, num dia caótico, ao atravessar a faixa de pedestres.

Eu quase esqueci de quem eu era tentando ser uma versão mais querida de mim mesmo. Mas eu não disse – quase – à toa. Ainda deu tempo de voltar atrás. De dar meia volta. De desistir de encenar um personagem que mantive durante muito tempo, mas agora faço questão de desmascarar. Faço questão de tirar a máscara que me encobre o rosto e exibir as minhas cicatrizes.

Sou hoje o que sempre fui durante muito, muito tempo, mas preferia esconder. Sou alguém que tem sonhos não realizados, diversas frustrações, uma ansiedade que causa gastrite, um senso de humor que alterna entre feliz demais para – que chato o mundo está hoje. Sou alguém que não gosta de uma lista de pessoas, que tem suas preferências porque entende que alguns, simplesmente, são melhores distantes da gente.

Pela primeira vez em muito tempo, não me sinto responsável pelo que vão pensar de mim. Pela primeira vez em muitos anos, desliguei parte dos meus alertas. Quem quiser me observar, quem quiser me julgar, que fique com a própria sentença. Eu já sou meu próprio promotor e advogado. Essa pessoa que vos fala já tem os próprios demônios para dar conta, para se preocupar ainda com a assombração da voz alheia. Exorcize-se sozinho. Dos meus sonhos e pesadelos, cuido eu.

 

por Matheus Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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