A mulher

Quem era a mulher de Vinicius?

Além da poesia, da mulher e do uísque, uma constante na vida de Vinicius foi a impermanência” (João Carlos Pecci)

Figura central em sua obra poética e musical, tanto quanto na vida, Vinicius descreveu muitas faces do feminino.

Nove casamentos e uma paixão por cada mulher, relembre os versos mais famosos do Poetinha, sobre a mulher:

A começar por sua obra mais conhecida: a coautoria de Garota de Ipanema (1963), uma das canções mais famosas do mundo, criada em parceria com Tom Jobim:
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

Em diversas entrevistas, ex-mulheres de Vinicius não pouparam elogios ao poeta como parceiro. Amoroso e apaixonado são as principais qualidades atribuídas a ele. E não é difícil perceber estes atributos de adoração nos versos de abertura do Poema para todas as mulheres (1938):
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter

Também definiu sua devoção — embora temporária — aos relacionamentos no Soneto de Fidelidade (1946):
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
(…)

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Para o parceiro Toquinho, as últimas estrofes do Soneto do amor total (1951) traduzem “a volúpia que uma amada provocava em Vinicius”:
 Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius também assinou poemas para a mulher de cada signo e de cada estado do Brasil. E transformou em versos sua visão do ideal feminino. No Soneto da mulher ideal, explica:
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.

Na Receita de Mulher (1957), cravou os versos que mais tarde gerariam polêmica:
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança

Ao mesmo tempo, Vinicius admitia que a beleza está nos olhos de quem vê: “Nada mais lindo que as feiurinhas da mulher amada!”, clama no poema O camelô do amor (Rio de Janeiro).

Vinicius era um apaixonado libertário e carinhoso. Toquinho relembra um comentário curioso do poeta sobre as mulheres de sua vida: o sonho de Vinicius era viver uma cena ao estilo de “Oito e Meio”, de Federico Fellini, em que o protagonista Guido reencontra todas as mulheres de sua vida: “O que eu gostaria mesmo é de reunir todas as minhas namoradas, mulheres, casos, flertes, encher a casa com elas, fazer aquele porão do filme do Fellini: a promiscuidade total, o amor total”.

 

Fonte: http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-10-19/a-mulher-segundo-vinicius-de-moraes.html

 

 

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